Magna Marinho de Oliveira construiu a vida inteira sob um princípio simples: trazer saúde e qualidade de vida para as pessoas. Fisioterapeuta, nutricionista e terapeuta cognitivo-comportamental, ela passou mais de 25 anos dedicando sua expertise a pacientes que, muitas vezes, não sabiam mais onde buscar ajuda. Quando perdeu a mãe, o pai e o marido em poucos anos, ainda assim não parou, pegou a sua dor e desenvolveu um propósito: descobrir a causa das doenças e não só aliviar sintomas. Abriu uma clínica — a Reinicie, em Alphaville —, criou os filhos sozinha e continuou sendo o ombro que todos procuravam. Pedir ajuda, para ela, simplesmente não fazia parte do roteiro.
Em abril de 2025, uma fraqueza discreta na mão esquerda mudou tudo. Como fisioterapeuta, Magna logo suspeitou de algo muscular — talvez artrite, talvez uma contratura. Tratou-se sozinha. Quando os sintomas persistiram, foi ao ortopedista. A eletroneuromiografia revelou atrofia em mais de dois nervos da mão esquerda, com comprometimento já alcançando a mão direita. A velocidade da progressão assustou os especialistas. Em poucos dias, Magna estava internada no Hospital das Clínicas, em São Paulo, cercada por onze médicos. O diagnóstico foi Esclerose Lateral Amiotrófica — a ELA — com prognóstico de três a cinco anos de vida.

Ela estava sozinha no quarto quando recebeu a notícia. A medicina convencional não oferecia tratamento — apenas cuidados paliativos para retardar o avanço da doença. A palavra progressiva ecoou. No entanto, Magna conhecia bem o universo integrativo, e seu lema sempre foi: você não é refém do seu diagnóstico. Ela não foi.
O momento em que a comunidade se revelou
Membro do BNI Alphaville há alguns anos, Magna tomou a decisão que considerava inevitável: comunicar ao grupo que precisaria se afastar. A renovação de associação estava chegando, os recursos iriam para o tratamento, e ela não queria depender de ninguém. A resposta do grupo, porém, não foi um abraço protocolar — foi uma mobilização.
A membro Fabiana Santiago que já tinha se tornado amiga, foi a primeira a procurá-la, oferecer ajuda. Ouviu o diagnóstico, entendeu as possibilidades de tratamento — incluindo um protocolo nos Estados Unidos no valor de 27 mil dólares por sessão — e levou a situação ao diretor executivo Alfredo Tanimoto. No dia seguinte, Alfredo estava no consultório da Magna. Chegou com dores, mas foi assim mesmo, pois o foco era ela. Ficou duas horas e meia. Conversou. Ouviu. E organizou uma rifa que movimentou todo o grupo.
A campanha arrecadou recursos suficientes para custear o tratamento da arcada dentária — uma abordagem integrativa que investigava a origem da doença a partir de focos infecciosos, associados a um vírus capaz de atravessar a barreira hemato-encefálica e atacar os neurônios motores. Para compor a rifa, membros do grupo doaram produtos e serviços: um colar de pérolas da MRS Golden Store, de Anderson de Oliveira; uma moto elétrica da membro Simone Baptista; uma landing page da Alef Design + Editora; camisetas de time autografadas, entre outros itens que refletiram a generosidade da comunidade. Depois, uma segunda ação — a rifa do Cigar Night — viabilizou o tratamento em Brasília, onde Magna segue se recuperando.
O que mais marcou Magna, contudo, não foram os números. Foram os gestos invisíveis: os membros que compravam 1, 20, 30 bilhetes da rifa sem dizer nada, cujos nomes só apareciam muito depois; as mensagens no particular; as amigas — do grupo — que se tornaram irmãs sem combinar. E o Alfredo, a quem ela define com uma simplicidade que diz tudo: um ser humano fora da curva.
Uma lição que ela não esperava aprender
Magna não tem dificuldade em identificar o que mais a transformou nesse processo — e não foi o tratamento. Foi ter aprendido a receber, a aceitar ajuda. Ela, que durante oito anos criou os filhos sozinha, que trabalhava doze horas por dia de segunda a sábado, que atendia pacientes de graça quando precisava, descobriu que o orgulho tinha um preço alto. E que aceitar cuidado não é fraqueza.
Em março de 2026, ao retornar ao Hospital das Clínicas para reavaliação, os médicos se depararam com algo que raramente veem com a ELA: melhora nos testes de força muscular. A mão esquerda, que marcava 12 pontos em novembro, chegou a 18. A direita passou de 17 para 30. A fisioterapeuta chamou o nome dela três vezes na sala de espera — sem imaginar que ela estava do lado, de salto alto, sem sintomas nas pernas. “Mas o seu diagnóstico não é a ELA?” “É. E você está de salto alto? Não era mais nem para estar em pé.”
A medicina ainda não sabe o que esperar dela nos próximos meses. Magna sabe. Segue fazendo tratamentos integrativos, cuidando da alimentação, fortalecendo o que ainda pode ser fortalecido. E em junho de 2026, casa-se com o homem que, ao saber do diagnóstico, não fugiu da responsabilidade, se mostrou o parceiro que ela sempre procurou, alguém para somar.
Muito mais que networking
Magna resume o BNI Alphaville com uma frase que não deixa margem para interpretação:
“O que Deus me deu não foi um grupo de networking. Foi uma família para chamar de minha, que me tornou melhor do que eu era.”
Ela não está mais no grupo como membro ativa neste momento — está em Brasília, cuidando de si mesma, algo que levou décadas para aprender. Mas a filha continuou em Santana de Parnaíba, fazendo faculdade, e Magna promete visitar sempre o BNI. Não por obrigação. Porque família é assim: a gente quer por perto.
Para quem ainda enxerga o BNI apenas como uma ferramenta de negócios, a história de Magna oferece uma perspectiva diferente. Comunidades reais não surgem de contratos ou planilhas de indicações. Surgem nos momentos em que alguém aparece — mesmo cheio de dores, mesmo sem saber exatamente o que dizer — e simplesmente fica.