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O impresso que o digital não consegue substituir — Editorial — Revista BNI Business

Revistas impressas O mercado editorial físico cresceu 6,9% em 2025 no Brasil

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O impresso que o digital
não consegue
substituir

Em um mundo de rolagem infinita e atenção fragmentada, as revistas corporativas voltaram — e estão mais estratégicas do que nunca

Por Fernanda Sodré

Havia uma crença quase unânime no início dos anos 2010: o impresso estava morto. As revistas iriam desaparecer. O papel cederia espaço definitivo às telas. Mais de uma década depois, o mercado conta uma história diferente — e cada vez mais empresas, associações e redes de negócios estão redescobrindo algo que o digital, com toda a sua velocidade, ainda não conseguiu replicar: a autoridade que vem de um objeto que se segura nas mãos.

Os números que desfazem o mito

O segmento de livros, jornais, revistas e papelaria registrou crescimento de 6,9% em 2025 no varejo brasileiro — desempenho superior ao de diversos outros segmentos do comércio nacional, segundo o Índice do Varejo Stone. Globalmente, o mercado de publicações físicas movimenta mais de US$ 120 bilhões e conta com mais de 7 mil revistas em circulação ativa. Nos Estados Unidos, mais de 70 novas revistas impressas foram lançadas apenas em 2024.

No Brasil, o movimento ganhou visibilidade com casos emblemáticos. Em dezembro de 2024, a Capricho voltou às bancas após 10 anos exclusivamente digital — e esgotou 80% dos exemplares na primeira edição. Em março de 2025, a Manchete ressurgiu após 25 anos de inatividade. A Bloomberg Businessweek relançou sua edição impressa mensal após 94 anos como semanal. Não são iniciativas nostálgicas. São apostas estratégicas feitas por organizações que entenderam o que os dados já confirmavam.

“O digital democratizou a publicação, mas não democratizou a credibilidade. Qualquer um pode postar — e é exatamente por isso que quem publica com rigor, com edição, com projeto gráfico e com responsabilidade editorial se destaca cada vez mais. O impresso é, hoje, um ato de coragem e de comprometimento.” — Alexandre Almeida, sócio da Alef Design + Editora

Fadiga digital: o fenômeno que mudou o jogo

Existe um nome técnico para o que muitos já sentem na prática: fadiga digital. Após anos de sobrecarga de notificações, feeds intermináveis e conteúdos descartáveis produzidos em segundos, leitores e empresas redescobriram o valor do que é planejado, editado, impresso e entregue com cuidado. A revista — especialmente a corporativa e de nicho — ocupa hoje um território que a internet criou, paradoxalmente, ao saturar sua própria audiência.

Quando uma pessoa segura uma revista nas mãos, o comportamento muda. Não há notificação para interromper. Não há algoritmo decidindo o que ela vai ler a seguir. Há uma sequência editorial pensada por alguém que conhece o leitor, respeitando sua inteligência e seu tempo. Pesquisas de neurociência do consumo mostram que a leitura em papel gera maior retenção de informação e engajamento emocional mais profundo do que a leitura em tela — dados que as grandes marcas de luxo já usam como argumento central para manter suas publicações impressas.

O impresso não compete com o digital — ele o ancora

A lógica que prevalece hoje não é de oposição entre papel e pixel, mas de complementaridade estratégica. Uma revista bem produzida gera conteúdo para meses de presença digital: matérias que viram posts, entrevistas que alimentam podcasts, dados que sustentam newsletters. O impresso não briga com o digital — ele eleva tudo que vem depois.

Fernanda Sodré, sócia da Alef Design Editora, vê esse movimento de dentro: “A empresa que publica uma revista comunica algo que nenhum post consegue comunicar: que ela investiu tempo, curadoria e recursos para entregar valor real ao seu público. Isso, por si só, já é uma declaração de marca. Quando o leitor segura aquele objeto nas mãos, já formou uma opinião sobre quem o produziu — antes de ler a primeira linha.”

Marcas que publicam revistas são percebidas como mais confiáveis, mais consolidadas e mais comprometidas com seu mercado. Em um ambiente onde qualquer pessoa pode criar um perfil e postar em segundos, o impresso funciona como um filtro de seriedade. Ele diz, sem precisar dizer: esta organização existe, pensa e cuida.

Fernanda Sodré, da Alef Editora, defende a força do impresso no ambiente corporativo
Fernanda Sodré, da Alef Editora, defende a força do impresso no ambiente corporativo

Vinte anos, múltiplos mercados, um método

A Alef Design Editora chegou a esse momento com um acúmulo raro: mais de duas décadas coordenando e dando forma gráfica a publicações para públicos radicalmente diferentes, cada um com sua linguagem visual, seu rigor editorial e sua identidade própria. O papel da Alef nessas revistas não é escrever — é criar a arquitetura que faz o conteúdo respirar: o projeto gráfico, a diagramação, a hierarquia visual, a identidade de cada edição. E fazer isso bem exige entender profundamente o universo de quem vai segurar aquela revista nas mãos.

Na Sogesp — Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo — o projeto gráfico precisa traduzir a seriedade científica de uma das maiores sociedades médicas do estado. Na Sobrac — Sociedade Brasileira do Climatério — a identidade visual carrega a especificidade de uma especialidade que une ciência e saúde feminina. Na Abdor — Associação Brasileira para o Estudo da Dor e Ortopedia — a publicação reúne estudos, discussões clínicas e avanços no entendimento da dor musculoesquelética: conteúdo denso, lido por ortopedistas, que exige um design capaz de organizar complexidade sem perder elegância. Na Revista da SBC — Sociedade Brasileira de Cancerologia — cada decisão gráfica carrega o peso de uma das especialidades mais exigentes da medicina.

Fora do universo médico, a Alef assina também a Empreenda, revista da empreendedora Elaine — uma publicação voltada ao universo dos negócios e do empreendedorismo feminino, com linguagem, paleta e identidade visuais completamente distintas das publicações científicas. É justamente essa diversidade de nichos que define o diferencial da Alef: não existe um único estilo de casa. Existe a capacidade de criar o estilo certo para cada universo.

Revista BNI: onde o método encontra a missão

Quando a Alef assumiu a produção da Revista BNI, o desafio era de outra natureza — não pela exigência técnica, mas pela natureza do conteúdo. Aqui, o protagonista não é o conhecimento científico nem o debate entre pares. É o empresário. A pessoa. A trajetória construída com esforço, decisão e visão.

E é exatamente aqui que a revista cumpre uma função estratégica que vai além da comunicação: ela se torna uma vitrine. O membro que aparece em suas páginas ganha visibilidade qualificada diante de toda a rede — seus pares, seus potenciais parceiros, seus futuros clientes. Uma matéria bem contada em uma revista impressa tem um peso que nenhum post patrocinado compra: ela posiciona, ela diferencia, ela permanece.

Para uma rede cujo capital mais valioso é a confiança entre seus membros, isso tem valor imenso. Um post some em horas. Uma matéria impressa fica na mesa, na sala de espera, na estante. Ela pode ser relida, compartilhada, guardada — e cada vez que isso acontece, o nome do membro circula de novo.

“No BNI, todo mundo tem uma história que vale a pena contar. Mas contar essa história de um jeito que inspire, que posicione, que faça o leitor enxergar aquele empresário como referência — isso exige ofício. Não é só entrevistar e transcrever. É construir uma narrativa que abre portas.” — Fernanda

É exatamente por isso que a Revista BNI importa além do que mostra. Ela não é apenas um veículo de comunicação da rede. É uma plataforma de autoridade para cada membro que nela aparece — e uma prova concreta de que pertencer ao BNI significa ser visto, reconhecido e lembrado.

O que vem pela frente

O crescimento das publicações corporativas nos próximos anos não será acidental. Ele responderá a uma necessidade que o mercado já sente: em meio ao ruído digital, as organizações que souberem usar o impresso como ferramenta estratégica sairão na frente. Não porque o papel seja superior ao pixel — mas porque a combinação dos dois, bem executada, cria presença real em múltiplas dimensões.

"Quando comecei nesse mercado, a pergunta era se valeria a pena investir em uma revista. Hoje, a pergunta mudou: as empresas perguntam como fazer isso bem. E essa mudança diz tudo sobre para onde o mercado está indo", conclui Fernanda.

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