No universo do BNI OESP1, é conhecida, antes de tudo, pelo cargo que ocupa ao lado de Alfredo Tanimoto. É ela quem comanda o nascimento de novos grupos, quem ajuda a articular conexões, quem contribui para que a rede continue crescendo com solidez. Mas reduzir Stella a essa função é perder a parte mais interessante da história: antes de expandir grupos, ela precisou se reconstruir várias vezes — e é dessa reconstrução que nasceu a profissão que ela exerce hoje, a de arquiteta de imagem pessoal.
O primeiro projeto foi ela mesma
Filha de uma professora da rede pública, cresceu numa família simples, em que faltar comida não era exceção. Ainda criança, viu a mãe deixar de se alimentar para garantir o prato dos filhos — uma cena que, sem que ela soubesse na época, plantaria nela a urgência de contribuir em casa o quanto antes. Foi assim que, ainda adolescente, saiu em busca do primeiro emprego.
A vaga era na recepção de um condomínio de alto padrão em São Paulo. Sem roupas femininas — usava principalmente peças herdadas do irmão mais velho —, Stella foi à entrevista com uma calça jeans dele e uma camiseta branca simples, comprada pela mãe para a ocasião. Ao chegar, encontrou a concorrente à vaga, uma jovem da mesma idade, vestida com roupas justas e marcantes. O síndico responsável pela seleção fez apenas duas perguntas — por que queria trabalhar ali e quando poderia começar — e a chamou no mesmo dia. Foi o primeiro contato dela com um fato que se tornaria o centro de sua carreira: a imagem comunica antes mesmo da primeira palavra.
Construção sobre construção
No condomínio, Stella cresceu. Superou a timidez, aprendeu a se comunicar, ganhou espaço. Aos dezessete anos, encontrou a fé — uma escolha que não foi bem recebida em casa e que, aos dezoito, resultou em sua saída. Seguiram-se meses de instabilidade: morou com colegas da igreja, depois com uma tia, até se estabelecer com o pai e a avó, em Jandira.
Foi o próprio chefe do condomínio, uma espécie de figura paterna naquele momento, quem a provocou a pensar maior. Perguntou se ela sonhava em viajar; respondeu que sim, mas não tinha nem passaporte. A conversa foi o empurrão que faltava. Decidiu cursar design de interiores, a única graduação que conseguiu encaixar na rotina de trabalho: acordava às quatro da manhã para o primeiro ônibus, chegava às aulas às oito, saía direto para o expediente, que ia até as vinte e duas horas e meia, e voltava para casa perto da meia-noite. Formou-se — a segunda pessoa da família a concluir uma faculdade.
A virada de chave
Formada, Stella passou a atuar com projetos de design e arquitetura, incluindo um projeto ao lado da socialite Camila Matarazzo. Percebeu, no processo, que se interessava mais por entender quem eram as pessoas — seus gostos, suas cores, seu estilo de vida — do que pelo projeto arquitetônico em si.
Foi nesse período que conheceu o BNI, apresentada por Alfredo Tanimoto. Entrou na rede com a cadeira de designer de interiores, a profissão que exercia até então. Quando a pandemia interrompeu os projetos residenciais, precisou mudar de rumo: passou a empreender com uma franquia de assistência técnica de celulares e, junto com o negócio, trocou também sua cadeira no grupo. Foi com essa nova cadeira que embarcou para uma convenção internacional da rede, em Madri, onde entrou em contato direto com o universo da moda e da arquitetura — e algo se movimentou.
Em Paris, na mesma viagem, observando o comportamento das pessoas no metrô, teve um insight. Uma consultora de imagem de luxo, que conheceu por acaso, reforçou o que ela já sentia: era ali, na interseção entre estética e comportamento, que fazia sentido para ela atuar. De volta ao Brasil, passou um ano inteiro se dedicando a estudar a fundo o universo da imagem pessoal, em cursos e imersões — uma formação que não existe em faculdade tradicional.
Arquitetura de imagem pessoal
Hoje, Stella se define como arquiteta de imagem pessoal — um nome que ela mesma escolheu para si ao perceber que aplicava, na construção da imagem das pessoas, os mesmos pilares que sustentam um projeto arquitetônico: identidade, estrutura, cores, estilo e posicionamento. A identidade é o ponto de partida — entender quem a pessoa realmente é, antes de qualquer palpite sobre o que ela deveria vestir. Só depois vêm os demais pilares: a estrutura corporal, o estilo que já existe e o que se quer alcançar, e o posicionamento, a forma como cada um ocupa espaço e é percebido no mundo.
Na prática, a consultoria começa pela escuta: qual é o desejo de imagem da pessoa, qual o estilo dela hoje e o quanto isso se adequa à rotina. Em seguida vem a coloração pessoal — mapeamento das cores que mais harmonizam com pele, olhos e cabelo, capaz de amenizar sinais de cansaço e olheiras só pela escolha certa de tom. Depois, a curadoria do guarda-roupa: peças que geram dúvida são descartadas — para Stella, o que não é certeiro não permanece — e o que resta vira uma lista de looks pensados para a arquitetura corporal de cada pessoa, considerando tecidos, cortes e volumes.
Autoridade que se constrói
Essa autoridade, já provou que tem. Em 2023, foi reconhecida com um prêmio do BNI por seu desempenho em indicações, resultado de um período em que se dedicava integralmente ao um a um com os demais membros. Hoje, o método que criou para si mesma também virou palestra: Stella leva a arquitetura de imagem pessoal a plateias inteiras, ensinando a enxergar na própria imagem uma ferramenta de posicionamento — na carreira, nos negócios, na vida.
Raramente reconhecemos, no momento em que dói, que aquela experiência vai se tornar ofício. Foi o que aconteceu com Stella — e é essa conversão, da dor em profissão, que hoje sustenta sua autoridade dentro e fora do BNI.