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Homem de camiseta e calça pretas sentado em poltrona redonda clara, com microfone de podcast e tênis azul colorido

Rafael Oleinik vendeu bijuterias, abriu loja, vendeu a operação por R$ 2,4 milhões e voltou ao mercado automotivo com um aprendizado que poucos têm: trocar segurança por controle

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Rafael Oleinik: pra trás,
nem pra pegar
impulso!

Rafael tinha 17 anos quando decidiu que não ia esperar a vida melhorar sozinha. Vendia água em farol de sinal, vestido de palhaço, numa esquina da Turiassú — filho de um pai da área de TI e de uma mãe que tentou empreender a vida inteira.

Por Fernanda Sodré

Entrou no mercado de carros aos 18 e virou o melhor vendedor do grupo numa concessionária Chevrolet. Um convite de uma nova rede para virar supervisor pareceu o próximo degrau, mas era uma armadilha disfarçada de promoção: sem comissão, ganhava menos do que já sabia ganhar sozinho. Foi o pior erro que cometeria em toda a trajetória — e a lição ficou: trocar segurança por controle.

Empreendeu de novo, longe dos carros, vendendo bijuterias em salões de beleza até abrir loja própria e vender a operação em 2018 por R$ 2,4 milhões. Voltou ao mercado automotivo levando um aprendizado que carrega até hoje: o que sustenta um negócio é saber girar volume mesmo com margem pequena.

Foi construindo essa nova operação, entre 2018 e 2022, que ele quase se destruiu. Perdeu um fornecedor essencial e fechou parceria com um grupo de lojas do interior de São Paulo, pagando à vista sem saber que o parceiro comprava a prazo. Uma ligação, 8 dias antes do Natal, mudou tudo: o advogado perguntou se ele queria a notícia boa ou a ruim primeiro. A ruim — 250 carros bloqueados pela Justiça, um rombo de R$ 16 milhões — quase apagou a boa, de que vinte e três poderiam ser liberados.

O dinheiro acabou antes das dívidas. Chegou a dividir uma marmita ao meio para render entre o almoço e o jantar. Vieram ameaças de morte ligadas aos credores a quem devia — uma delas trouxe fotos da esposa e da filha na porta da escola. Na mesma tarde, mandou as duas para a casa da sogra, sem poder explicar o motivo. Era um dia de sol, 38 graus, mas o céu que Rafael enxergava era cinza.

O que fez a seguir não veio de um plano de negócios, mas de uma aposta guiada por fé. A um credor a quem devia um milhão de reais: pediu emprestado o prédio que ele tinha acabado de construir, mais alguns carros consignados para recomeçar. Parecia um pedido absurdo — mas funcionou tão bem que, meses depois, o próprio credor virou sócio do negócio. 

A esposa e a filha voltaram para casa quando as ameaças cessaram. O negócio se chama Repassa Brasil e sobrevive de uma escolha simples: comprar os carros que o resto do mercado recusa — usados, com problema mecânico, sem o charme que todo lojista tradicional persegue. Onde os outros dizem não, decidiu dizer sim, e encontrou ali um mercado quase sem concorrência. A empresa hoje soma 6 lojas; da dívida original, resta menos de um quinto, e cada credor está sendo honrado até o fim.

Hoje não teme mais o cenário — só carrega, desde a época mais dura, um nódulo no estômago que a crise não levou embora. Há cinco meses decidiu expor o próprio rosto no canal Acelera Rafa, e viu o público saltar de zero a 270 mil seguidores. Não era vaidade: era prova de que dava para vencer sem passar ninguém para trás. Dentro da própria empresa, hoje há gente que veio de aplicativo de transporte, de emprego sem perspectiva — e que hoje tem casa própria e carro. Esse é o propósito real: tirar pessoas do lugar onde elas não conseguiam se enxergar sozinhas.

O próximo capítulo já tem data marcada — vender a Repassa Brasil em 2034, avaliada em R$ 1 bilhão. Não é o fim da história. É só o próximo destino, que verá o céu brilhar.

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