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Homem de terno escuro e camisa branca, de perfil, com ilustração digital de cérebro e sinapses emergindo da cabeça

Primo Paganini viveu na própria carne a distância entre estudar o cérebro e ser governado por ele — e transformou um diagnóstico de tumor em ponto de virada para entender quem realmente comanda nossas decisões

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Quem é o CEO
do seu cérebro –
tem certeza que é você?

Sou Primo Paganini, 56 anos, nascido em Botucatu, interior de São Paulo, e minha história é a de quem cruzou as fronteiras entre Medicina, ciência e negócios — mas antes de tudo, é a história de um homem que aprendeu a duvidar e, mesmo assim, seguiu em frente.

Por Fernanda Sodré

Aos 18 anos vim para a capital cursar Medicina na USP, carregando a certeza ingênua de que a ciência responderia a tudo. Fiz metade da residência de Neurologia quando, em 1995, um tumor de calota craniana atravessou meu caminho, com uma neurocirurgia até marcada para setembro daquele ano.

O tumor era benigno. Mas eu não sabia disso naquela noite em que recebi o diagnóstico, nem nas semanas de espera que se seguiram. Foi ali, deitado entre exames e silêncios, que a morte deixou de ser um conceito e virou uma presença. Pela primeira vez, entendi que meu corpo não era meu — era emprestado, frágil, finito. A certeza que eu carregava desde os 18 anos desmoronou: a Medicina não me respondia tudo. Ela me dizia o que havia na minha cabeça, mas não o que fazer com o medo, com o sentido, com a vida que eu ainda não tinha vivido. A incerteza é inevitável; o sofrimento, aprendi depois, é opcional. Mas naquele momento eu só sabia da primeira parte.

A crise existencial que se seguiu não foi um drama, foi uma pergunta que não me largava: se a vida pode acabar a qualquer instante, o que eu estava fazendo com a minha? Foi essa pergunta que me levou ao divã de uma psicanalista freudiana. Apaixonei-me pela escuta, abandonei a residência de Neurologia, prestei nova prova e passei na residência de Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, de onde tenho título de especialista. O divã me ensinou a escutar o que não está dito — habilidade que levo até hoje para reuniões, negociações e liderança de equipes. E me ensinou, sobretudo, que dar nome ao sofrimento é o primeiro ato de governo sobre ele.

Entrei de paraquedas no mundo corporativo e fui gerente médico em empresas como AstraZeneca, Organon e Grünenthal; Medical Lead na Pfizer para a América Latina; Diretor Médico na United Medical Biotoscana; e consultor médico para a Janssen, Mantecorp Farma Hypera Hipermarcas e para a Cellera Farma. Participei de Programas de Preceptoria em Harvard, em Cambridge, em transtorno depressivo maior; em Yale, em New Haven, em transtorno bipolar; e em Columbia, em Nova York, em esquizofrenia. Fiz os dois anos de Conflito e Sintoma na Sedes Sapientiae e iniciei minha formação psicanalítica. Na indústria farmacêutica tornei-me palestrante de Neurociências, dando cursos sobre como manter a saúde mental através de mudanças de estilo de vida e sobre Neurociência e Psicanálise aplicada ao dia a dia, alcançando executivos, médicos e líderes em todo o Brasil.

Há dez anos, acrescentei à minha jornada uma nova fronteira: a pesquisa do Sistema Endocanabinoide e da Cannabis medicinal, que me deu a convicção de que a regulação química natural do corpo é a base para tratar as doenças da mente de forma mais natural. Hoje, no consultório, trato todas as doenças mentais de forma mais natural, através da Psiquiatria de Convergência Subcelular, que associa fitofarmacologia, alopatia quando indicada e alimentos como tratamentos, com o foco em facilitar as reações químicas necessárias para a produção de energia e a nutrição celular adequada, reduzindo o excesso de inflamação e de oxidação e a produção de radicais livres, peróxidos e outros agentes tóxicos. Cuidando das células, cuidamos do organismo como um todo — e isso vale também para o executivo que precisa de clareza para decidir.

O estudo das obras de Sigmund Freud, Melanie Klein, Donald Winnicott, Jacques Lacan, o estoicismo de Sêneca, Marco Aurélio e Epicteto, Platão, Nietzsche, Schopenhauer, David Eagleman, Robert Sapolsky, Adam Grant e Daniel Kahneman deixou claro para mim que o cérebro e o aparelho psíquico possuem vida independente de nossa vontade. No ambiente de negócios, isso é ainda mais visível: o Sistema 1, automático, rápido, baseado em padrões e experiências prévias, porém intuitivo, operando de forma inconsciente e sujeito a vieses, decide antes de você pensar. Numa reunião, numa venda, numa negociação difícil, a amígdala dispara, o corpo reage e nós apenas assistimos — até aprendermos a governar esses processos. Meu objetivo é treinar as pessoas a reconhecerem o que é o cérebro primitivo, as amígdalas e como o Sistema 1 nos domina e nos torna apenas porta-vozes de processos automáticos. Tenho as ferramentas para auxiliar as pessoas a serem os CEOs dos cérebros delas. E aqui está a boa notícia para o mundo dos negócios: isso não é apenas saúde mental, é vantagem competitiva. Um líder que regula suas emoções decide melhor, negocia melhor e adoece menos.

Hoje, além do consultório, atendo empresas e profissionais que querem levar a neurociência para a prática, com palestras sobre saúde mental e estilo de vida, formação de líderes e apoio a times de alta performance. É com esse espírito que me apresento a esta rede. No BNI, acredito profundamente na filosofia do Givers Gain: quem dá, recebe. Minha contribuição é oferecer aos profissionais e empresários o que aprendi em três décadas entre consultório, universidade e indústria — e o que aprendi naquela noite de 1995, quando entendi que a vida é curta demais para ser vivida no piloto automático. Se você quer entender como o cérebro influencia suas vendas, suas negociações e suas decisões, estou à disposição. Porque todos os negócios são feitos por cérebros — e cérebros bem governados constroem empresas que prosperam e pessoas que vivem melhor.

Homem de meia-idade com barba, óculos de armação azul e camisa vinho, sorrindo levemente em fundo cinza neutro
A descoberta de um tumor benigno em 1995 separou, para sempre, o médico que decorava conceitos do ser humano que aprendeu a habitar o próprio corpo

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