Existe uma cena que Rodrigo Motta não consegue tirar da cabeça. Novembro de 2025, República Dominicana. Um cigar bar em Punta Cana, a noite quente do Caribe do lado de fora. Ao redor, doze casais. E num dado momento, sem combinação, sem convite formal — todas as mulheres pegaram seus charutos e acenderam junto com os maridos. Silêncio. Fumaça. Mar.
"Aquilo foi a prova de que o que a gente construiu é real", ele diz, com a voz de quem ainda sente aquele momento dentro do peito. O que eles construíram tem nome: Cigar Night. Tem história, tem método, tem alma. E completa três anos em 2026 com 32 edições realizadas, mais de cem pessoas no grupo, vagas que esgotam com frequência — e uma viagem internacional que já virou tradição anual.
A história começa muito antes do BNI. Começa com um menino de 16 anos que jogava xadrez e tinha um professor que fumava cachimbo. Uma influência improvável que o levou a uma tabacaria de São Paulo, onde um dono generoso lhe presenteou com dois charutos — um nacional, um importado. "Foi paixão à primeira vista. Desde os 17 anos, em todos os momentos da minha vida — com dinheiro, sem dinheiro, dólar baixo, dólar alto —, o charuto sempre esteve ali."
Nos anos seguintes, Rodrigo foi fundo. Presidiu um clube de charutos online nos anos 2000. Construiu amizades profundas naquele universo. Em 2010, foi a Cuba para o festival. Formou-se sommelier de harmonização de charutos e bebidas. E nunca parou de aprender.
Toda essa bagagem vivia guardada dentro de um advogado trabalhista muito ocupado — até que, em 2022, uma conversa entre amigos do BNI mudou isso. Alfredo Tanimoto, Danilo Marques, Alberth Souto e José Roberto Teixeira estavam reunidos quando alguém lançou a ideia no ar: "vamos fazer um evento de charuto?" Rodrigo topou na hora. Em março de 2023, aconteceu a primeira edição do Cigar Night.
A estrutura do evento foi desenhada por Rodrigo com a precisão de quem conhece o assunto profundamente. Cada edição começa com uma palestra introdutória — como cortar, como acender, como fumar sem comprometer o que foi construído artesanalmente — pensada para quem chega pela primeira vez. Em seguida, vem um tema específico dentro de uma trilha de formação que ele desenvolveu ao longo do tempo: secagem do tabaco, fermentação, armazenamento, terroir.
Para cada encontro, Rodrigo escolhe pessoalmente o charuto e a bebida que serão harmonizados. Já passaram pela mesa whiskys, conhaques, runs de todas as regiões do Caribe, cachaças, cervejas stout e vinhos fortificados como Porto e Madeira. As vagas são intencionalmente limitadas a 25 ou 30 pessoas — para preservar a qualidade da palestra e garantir que as conversas aconteçam de verdade. O grupo no WhatsApp já ultrapassa cem participantes. As vagas costumam esgotar.
Mas ele não está sozinho. O Cigar Night acontece sempre no Altino Deck Bar, casa do membro do BNI Ethos, Alberth Souto, que abre o espaço para o evento.
É o mesmo princípio do vinho. O solo, o clima, a altitude — tudo isso está no charuto. Cuba tem a tradição. A República Dominicana é hoje a maior produtora do mundo. O Brasil também tem seu lugar nesse mapa. Cada origem carrega uma identidade.
Desde a primeira edição, Rodrigo e Alberth estabeleceram uma regra que define a alma do Cigar Night: eles não cobram pelo seu tempo e espaço. O ticket de cada participante cobre apenas o charuto e a bebida da noite. A palestra, a curadoria, a trilha de formação — tudo isso ele oferece de graça, por escolha, por princípio. "Para mim, isso é um hobby. Sempre foi."
Dois pilares do Givers Gain sustentando o mesmo evento — um com o conhecimento, outro com o espaço — e os dois confiando que o que se dá de verdade volta multiplicado.
É o espírito Givers Gain em sua forma mais concreta. E os resultados aparecem de formas que nenhum planejamento conseguiria prever. Certa vez, uma empresária pediu num grupo de fornecedores alguém especializado em charutos para um evento corporativo de fim de ano. Uma membra do BNI Campinas, que nem pertencia ao mesmo grupo de Rodrigo, estava nesse grupo e fez a indicação espontaneamente. Ele foi contratado. A conexão veio de onde ninguém havia planejado — porque as redes de confiança funcionam assim.
Um preconceito comum precisa ser desmontado: o Cigar Night não é um evento masculino. Nunca foi. Rodrigo faz questão de deixar isso claro, e não apenas por protocolo. "Eu tenho um princípio simples: se não posso levar minha mulher, eu não vou. Então quando criei esse evento, nunca existiu a opção de ser fechado."
Mulheres participam e sempre participaram. Hoje, as grandes marcas mundiais de charutos já desenvolvem linhas específicas pensadas para o paladar feminino — o universo que por décadas se fechou está se abrindo, e o Cigar Night acompanha essa transformação.
A Cigar Trip de novembro de 2025 foi a confirmação mais bonita disso: doze casais, juntos, vivendo dois dias de imersão em fábricas e lojas históricas de charutos na República Dominicana, seguidos de dias de resort em Punta Cana. Nenhuma divisão, nenhum separado. "E foi num cigar bar, no Caribe, que todo mundo estava fumando junto. Não precisou de convite. Aconteceu naturalmente."
O Cigar Night chega a 2026 consolidado como um dos eventos de referência da região Oeste — frequentado por membros de outros grupos do BNI e por pessoas completamente de fora da rede. Não é preciso ser membro. Não é preciso entender nada de charutos. É preciso chegar com curiosidade e disposição para descobrir que fumar bem é, no fundo, uma forma sofisticada de estar presente.
O charuto, ele escolhe. O resto — você vai descobrir quando chegar.
O Cigar Night acontece sempre na última quinta-feira do mês, no Altino Deck Bar. O evento é aberto a todos — membros e não membros do BNI. Entre em contato com Rodrigo Motta para participar do grupo e garantir sua vaga na próxima edição.
Quando eu acendo um charuto, o mundo fica mais lento. E é nessa lentidão que os melhores papos acontecem. Os melhores negócios. As melhores amizades.